segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Capitalismo Monopolista




Queridos Alunos do 2º EM  esta aqui o que discutimos hoje em sala de Aula. De uma maneira mais simples para compreender.

A primeira metade do século XIX foi caracterizada pelo capitalismo liberal e pelo "laissez-faire". A Inglaterra, pioneira no processo de industrialização, proclamou-se a "oficina do mundo", defendendo a liberdade de vender seus produtos em qualquer país, sem barreiras alfandegárias, bem como o livre acesso às fontes de matérias primas.

A partir de meados do século, o desenvolvimento tecnológico levou ao surgimento de novos métodos de obtenção do aço, produzindo um material mais resistente e maleável, utilizado em máquinas, na construção civil, nos transportes e em objetos de uso corrente. Novas fontes de energia, como o gás e a eletricidade, substituíram gradativamente o vapor. Vários tipos de motor de combustão interna (a gás, a óleo ou a gasolina) possibilitaram o aperfeiçoamento dos meios de transporte (navio, trem, automóvel). Desenvolveram-se as siderúrgicas, a metalurgia a mecânica pesada, a indústria petrolífera, o setor ferroviário e de telecomunicações (telégrafo, telefone e rádio).

0 aumento da mecanização e da divisão do trabalho nas fábricas permitiram a produção em massa, reduzindo os custos por unidade e incentivando o consumo. A cada progresso técnico introduzido, os países industrializados alargavam o mercado interno e conquistavam novos mercados externos. A riqueza acumulava-se nas mãos da burguesia industrial, comercial e financeira desses países. Ela não representou o fim da miséria dos trabalhadores, que continuavam submetidos a baixos salários, mas contribuiu para a elevação geral do nível de vida.

Os avanços técnico-científicos exigiam a aplicação de capitais em larga escala, produzindo fortes modificações na organização e na administração das empresas. As pequenas e médias firmas de tipo individual. e familiar cederam lugar aos grandes complexos industriais. Multiplicaram-se as empresas de "sociedade por ações" ou "sociedade anônima" de capital dividido entre milhares de acionistas, permitindo a captação da poupança de pequenos investidores, bem como associações e fusões entre empresas.

Esse processo ocorreu também nos bancos: um número restrito deles foi substituindo a multidão de pequenas casas bancárias existentes. Ao mesmo tempo, houve uma aproximação das indústrias com os bancos, pela necessidade de créditos para investimentos e pela transformação das empresas em sociedades anônimas, cujas ações eram negociadas pelos bancos. 0 capital industrial, associado assim ao capital bancário, transformou-se em capital financeiro, controlado por poucas grandes organizações.

A expansão do sistema capitalista conviveu com crises econômica que ocorreram com uma certa regularidade no século XIX e também posteriormente, sendo consideradas naturais pelos economistas liberais, Tais crises, de modo geral, obedeciam ao seguinte ciclo: a uma fase de alta de preços, salários, taxas de juros e lucros, acontecia a falência de uma ou de várias empresas e bancos incapazes de saldar seus compromissos, devido a má administração, a especulação ou a qualquer outro fator.

A falência afetava a confiança do público e dos acionistas de outras empresas e bancos, reduzindo o consumo e o investimento. As indústrias diminuíam o ritmo da produção, caíam o emprego e o poder de compra da população, acarretando novas baixas de preços, lucros e mais falências. Quando os estoques de produtos esgotavam-se, a produção ré tomava lentamente o crescimento, com um menor número de empresas e ma ior concentração do capital, restabelecendo o equilíbrio do sistema.

domingo, 14 de agosto de 2011

"A CONSTRUÇÃO DO GOSTO" / E SUAS VARIAÇÕES...

Música e sociedade no Período Joanino


A CONSTRUÇÃO DO GOSTO: MÚSICA E SOCIEDADE NA CORTE DO RIO DE JANEIRO , 1808-1821.
Passei um ano para terminar esse livro realmente foi uma leitura ótima, na qual me ajudou muito em minhas aulas de História. E depois de uma conversa de horas com meu querido AMIGO e Professor surgiram várias possibilidades para um mestrado. Fui lendo e cada capitulo surgia uma nova pesquisa uma leitura lenta cheia de cautelas mais que me ajudou bastante.
I
De 1808 a 1821, o Rio de Janeiro foi o único centro urbano do Novo Mundo a conviver com práticas de corte e seus protagonistas, já que antes disso nunca uma família real havia colocado os pés em suas colônias. Para recuperar o que foi esse tempo e, principalmente, para refazer os caminhos da música no Brasil na época do príncipe regente D.João (1767-1826), por meio da história da formação do gosto musical brasileiro e de seu entorno, foi que o historiador Maurício Monteiro escreveu A Construção do Gosto – música e sociedade na corte do Rio de Janeiro 1808-1821, originalmente sua tese de doutoramento na Universidade de São Paulo.
Monteiro, em seu trabalho, expõe o que foi o encontro da sofisticada música trazida pela corte portuguesa, ou seja, o classicismo de vanguarda de Mozart (1756-1791) e Joseph Haydn (1732-1809), por exemplo, e os novos gêneros musicais como música de concerto e óperas, com as já existentes no Brasil colônia, isto é, o rico barroco mineiro e os ritmos africanos. “O que importa aqui é perceber como as atividades musicais, aquelas que vieram e aquelas que já existiam por esses trópicos, desenvolveram-se, amalgamando-se, articulando-se ou criando outra”, como observa o autor.
Para tanto, Monteiro constatou a existência de uma trindade de músicos da corte joanina que se tornou o sustentáculo da espiritualidade e do divertimento social, da moral e dos costumes cortesãos, das necessidades e das possibilidades do gosto no Brasil. “Um era diferente do outro, mas viveram num sistema de trocas culturais”, diz Monteiro.
Marco Antônio Portugal (1762-1830) foi o representante do estilo italiano, embora tivesse nascido português. Já Sigismund Neukomm (1778-1758), aluno de Haydn, foi o classicismo vienense, embora tivesse vivido muito tempo na França. E o padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), mulato, foi a única possibilidade e o possível resultado tropical, embora nunca tivesse saído do Rio de Janeiro. “Em termos gerais”, diz o autor, “foram os três compositores de maior popularidade da sociedade carioca, foram os que mais prestígio tiveram junto ao príncipe e à família real”.

II
Até a chegada da família real, diz o autor, predominaria no Rio de Janeiro e no Brasil a idéia de que a atividade musical era uma tarefa mecânica, indigna de um homem branco. E que, portanto, não se tinha o músico como artista, mas como artesão, ainda que muito habilidoso. Com a chegada da corte, segundo Monteiro, esse pensamento ter-se-ia alterado, a partir do momento em que regras de “bem-viver” ou cartilhas de bom-tom começaram a proliferar, incluindo a música, que passou a ser vista sob a ótica da etiqueta e do gosto.
Mas isto não é bem assim. Não é certo que a música fosse atividade só de negros e mulatos. Essa é uma bobagem repetida por muitos historiadores e Monteiro a deve ter lido num desses trabalhos. Se tivesse lido O Rio de Janeiro setecentista (Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2004), do arquiteto Nireu Cavalcanti, que não consta da bibliografia do seu livro, teria percebido que o mestre-capela Antônio Nunes de Siqueira, membro da Academia dos Seletos e da Academia Real da História Portuguesa, que depois entrou no sacerdócio, era branco, músico dos bons e figura importante na sociedade carioca (p.182). Aliás, da página 179 a 184 de seu livro, Cavalcanti relaciona vários músicos brancos (alguns seriam amadores porque não precisavam da música para sobreviver) que se apresentavam no Rio de Janeiro antes da chegada da família real.
Segundo Cavalcanti, era músico (amador) também o médico Francisco Correa Leal bem como seus filhos. Formaram eles um dos grupos que tocaram quando da chegada de dom João. A verdade é que havia músicos brancos, pretos e mulatos, mas, como foi o padre mulato José Maurício quem mais se destacou, historiadores apressados concluíram que era depreciativo ser músico no Rio de Janeiro colonial. Não era.
É claro que a chegada da corte fez crescer o movimento musical no Rio de Janeiro. Até cantores castrados (castratti) foram trazidos da Itália para interpretar árias e obras sacras, como ocorria em Lisboa e nas demais capitais europeias. Monteiro observa, porém, que, mesmo ditando preferências de estilo, a realeza e os reinóis recém-chegados não vieram a anular as já existentes, o que deixou espaço para a criação de novas práticas artísticas e culturais. Até porque, saindo às ruas, o que esses cantores e compositores ouviam, ainda que involuntariamente, eram os sons de batuques.
Nas duas primeiras partes do livro – “Música e Historiografia” e “O Gosto e o Costume” --, o autor traça um panorama da construção do gosto musical no Rio de Janeiro no começo do século XIX. Já em “Um lugar seguro nos trópicos” apresenta o impacto e as transformações artísticas e socioculturais que o Rio de Janeiro começou a sofrer a partir da presença da corte. Também aborda a música dos escravos africanos e dos indígenas e o seu entrecruzamento com a cultura europeia. Em “A música na sociedade da corte” mostra, entre outros temas, as associações religiosas leigas e irmandades que eram “as maiores fornecedoras e consumidoras” de artes no Brasil antes da chegada da corte.
III
O que se lamenta é que o autor repita a informação de que, com a família real, viajaram para o Rio de Janeiro em 1807 entre 10 e 15 mil pessoas, dando-a como líquida e certa, sem apresentar, porém, fontes de arquivo que a comprovem efetivamente. E que também escreva que o Rio de Janeiro contava com cerca de 50 mil habitantes antes da chegada do príncipe regente e que o número triplicou a partir de 1808 e que quase dois terços eram formados por negros e mestiços, igualmente sem apresentar fontes confiáveis.
Se dois terços da população eram de negros e mestiços – ou seja, 30 mil, a levar-se em conta os dados que apresenta, é de imaginar que, das naus que acompanharam D. João e nas demais que chegaram ao Rio de Janeiro em 1808 e 1809, tenha desembarcado – e permanecido na cidade – quase o equivalente ao que havia de população dita branca (porque se sabe também que muitos dos homens principais, filhos de portugueses chegados havia mais tempo, já não seriam tão brancos assim). Imaginar que isso tenha ocorrido é imaginar também que tenha acontecido um tumulto de grandes proporções na cidade do Rio de Janeiro que a documentação que se conhece não comprova, apesar da insistência com que aqueles que sempre defenderam essa tese procuram fazê-lo.
A professora Lilia Moritz Schwarcz, uma das mais brilhantes historiadoras da última geração, que sempre repetiu em seus livros essa informação pouco confiável, em A longa viagem da biblioteca dos reis (São Paulo, Companhia das Letras, 2002), já não se mostrou tão confortável assim com os números, depois que o arquiteto Nireu Cavalcanti, em sua tese de doutorado de 1997, transformada no livro citado acima, garantiu que, somando as listas de passageiros que constam de arquivo, vieram com o príncipe regente apenas 444 pessoas, entre as quais 60 membros da família real e da alta nobreza portuguesa “que chegaram ao Rio de Janeiro entre 1808 e 1809”.
Apesar de ter citado Cavalcanti, Lilia preferiu relacionar várias fontes em que se lê os mais disparatados números. Escreveu que o secretário do bispo Caleppi, “que a tudo assistiu de perto, avaliou que 10 mil pessoas embarcaram na esquadra real”. Citou também uma minuciosa listagem, que consta do arquivo do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (lata 490, pasta 19) que relaciona nominalmente 536 passageiros, número que seria maior porque ao lado dos nomes dos passageiros muitas vezes vinham termos imprecisos como “e mais sessenta pessoas” ou “e outros”.
Observou ainda que o historiador J.M.Pereira da Silva (1817-1897), em época posterior, estimou que “cerca de 15 mil pessoas de todos os sexos e idades abandonaram neste dia as terras de Portugal”. E que um documento encontrado nos papéis de D. Rodrigo de Sousa Coutinho (1755-1812), o conde de Linhares, hoje constantes do acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que pretendia registrar os nomes dos nobres acompanhantes de D. João, apresenta ao final uma informação taxativa: “E mais 5 mil pessoas”. Sem deixar de acrescentar uma nota do tenente irlandês Thomas O´Neill, que acompanhou o embarque em Lisboa e a chegada ao Rio de Janeiro, segundo o qual teriam desembarcado de 16 a 18 mil súditos, incluindo quatro mil soldados da tropa.
Citou também o historiador contemporâneo inglês Kenneth Light que estimou que, naquele 29 de novembro de 1807, em Lisboa, poderiam ter embarcado de 12 a 15 mil pessoas. Mas há mais: o historiador J.Vieira Fazenda avaliou que em três meses a população do Rio de Janeiro aumentou em mais de 20 mil pessoas, enquanto para Rocha Martins (1879-1952) seriam 13.800 os recém-chegados, para A.K.Manchester, 10 mil, e para o sempre pouco confiável Luiz Edmundo (1878-1961), 15 mil. Em conclusão, Lilia preferiu mesmo ficar com a “verdade” consagrada pela historiografia oficial de que os viajantes teriam variado de 10 a 15 mil, embora não haja documento que, peremptoriamente, confirme o dado.
É certo que pelo menos três dos documentos acima citados são coevos do tempo do embarque da família real rumo ao Brasil, mas igualmente podem trazer estimativas exageradas. Não dá para acreditar, por exemplo, que O´Neill, que era oficial da marinha inglesa, embarcado num navio ancorado a quilômetros de distância do porto de Belém, tenha ficado de prancheta em punho a contar o embarque de milhares de viajantes. Esta é mais uma fantasia do tipo daquela segundo a qual D. Maria,  que já não andava bem das idéias, teria dito na carruagem, descendo do Palácio da Ajuda para o porto de Belém, para que não corressem a fim de não dar a impressão de que estariam fugindo. Quem estava lá para saber se ela disse isso mesmo?
Já as demais são citações de historiadores que sempre fizeram do palpite o seu instrumento de trabalho, como ainda é muito comum nos dias que correm. Aliás, Luiz Edmundo já deveria ter sido “canonizado” como o santo padroeiro dos historiadores brasileiros por palpites, assim como Teófilo Braga (1843-1924) é dos portugueses.
IV
O curioso é que nenhum desses historiadores consultou nos livros da Intendência Geral de Polícia da Corte, no Arquivo Nacional da Torre Tombo, as páginas referentes ao mês de novembro de 1807. Se o tivessem feito, com certeza, teriam tido suas convicções abaladas, pois lá está claro que as forças de segurança, às vésperas do embarque da família real, preocuparam-se em evitar que a população percebesse os preparativos para a retirada estratégica (ou fuga, se preferirem).
Assim, por determinação da Intendência, casas de pasto e botequins ao redor do Palácio da Ajuda não tiveram permissão para abrir as portas naqueles dias. E no Rossio foi reforçada a vigilância para evitar ajuntamentos e a propagação de boatos. Da leitura dos livros da Intendência, conclui-se, obviamente, que a saída da família real de Lisboa era um segredo de Estado. Portanto, se era segredo de Estado, como imaginar que a informação possa ter sido compartilhada por 10, 15 ou 18 mil pessoas?
Quem ainda assim duvidar deveria ler o texto “A reordenação urbanística da nova sede da Corte”, do mesmo Nireu Cavalcanti, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, nº 436, jul.-set., 2007, pp.149-199. Ali se pode ler, por exemplo, que toda a operação de embarque da família real se deu em 40 horas. Não se esqueçam que as tropas de Junot estavam em Sacavém, às portas de Lisboa. Em outras palavras: a família real embarcou no dia 29 e, no dia seguinte, o exército invasor entrou na cidade. Colocar 15 mil pessoas nos navios em tão pouco tempo seria tarefa impossível. Até porque as naus ficavam ao largo e os viajantes tinham de ir até lá em escaleres.
Mas, como correções não se coadunam com os egos inflados de acadêmicos, a historiografia continua a consagrar aquele discurso contraditório, levando historiadores menos atentos a repeti-lo como verdade consagrada. É o caso de Monteiro que repete também a historieta de que teriam ocorrido muito problemas para a instalação daqueles que chegavam, dizendo que as iniciais P.R. (Príncipe Regente) assustavam a todos e que seriam traduzidas jocosamente como “ponha-se na rua”. Se isso se deu, é de imaginar que, praticamente, toda a população de proprietários do Rio de Janeiro (lembrem-se que dois terços seriam negros e mestiços, ou seja, não proprietários em sua imensa maioria) teria sido convidada a deixar suas residências para que fossem abrigados os recém-chegados.
E mais: levando em conta que a limpeza do Rio de Janeiro estava toda confiada apenas aos urubus, como observou Oliveira Lima (1867-1928) em D. João VI no Brasil (Rio de Janeiro, Topbooks, 4ª ed,. 2006), é provável que a presença abrupta de mais 15 mil pessoas acabasse por estimular uma epidemia sem precedentes numa cidade sufocante em que eram comuns ataques biliosos, disenterias, bexigas, linfatites, morféia e sífilis. Só que não há também registro conhecido de uma mortandade sem precedentes. Nem tampouco sobre a construção às pressas de casas ou aposentos para os recém-chegados.
É verdade que Luís Gonçalves dos Santos (1767-1844), o padre Perereca, em Memórias para servir à História do Reino do Brasil, diz que o vice-rei mandou que proprietários e inquilinos de um grande número de casas lhe levassem as chaves até que “aparecesse na Barra Real a esquadra”, mas isso poderia valer tanto para abrigar 500 ou 15 mil pessoas.
Portanto, onde teriam ido se alojar os 15 mil desabrigados consagrados pela historiografia oficial? É, no mínimo, estranho que nenhum documento registre esse pandemônio, sendo mais plausível que tenha ocorrido em dimensões bem reduzidas. Cavalcanti, aliás, em seu livro, diz que pesquisas que realizou sobre a questão da aposentadoria e sua aplicação no Brasil, em função da permanência da corte no período de 1808 a 1823, ano de sua extinção pela legislação brasileira, apontam para o diminuto número de cerca de 120 processos. Mais: naquele texto mais recente, publicado na Revista do IHGB, Cavalcanti diz que, segundo suas pesquisas na documentação, apenas 19 pessoas pediram casa para alugar, usando a lei da aposentadoria. Daqui se conclui que, se o episódio do “ponha-se na rua” ocorreu em 1808 ou 1809, envolveu bem poucas famílias.
V
Monteiro também repete o que a historiografia oficial consagrava sobre a presença da missão francesa de 1816 no Rio de Janeiro, com base em estudos de Afonso Taunay (1876-1958) e Donato Melo Júnior, sem levar em conta a importante revisão que Lilia Moritz Schwarcz fez sobre o assunto em O Sol do Brasil: Nicolas-Antoine Taunay e as desventuras dos artistas franceses na corte de D. João (São Paulo, Companhia das Letras, 2008), talvez porque o lançamento dos dois livros praticamente coincidiu. E não tenha havido tempo para correções ou aditamentos.
Monteiro ainda informa à pág.216 que, ao embarcar em Lisboa para o Rio de Janeiro, o príncipe regente trazia consigo alguns dos melhores músicos da corte, mas não relaciona seus nomes nem diz em que nau  teriam vindo como tampouco aponta qualquer fonte de arquivo que possa corroborar sua informação. Seria mais um palpite.
Mas, a título de colaboração, pode-se dizer que há passaportes passados em Lisboa, ao final do ano de 1809, para os músicos Antonio Pedro Gonçalves, João Mazzioti, Joaquim Antonio Gomes Calão (padre cantor), José Caparica, José Joaquim Borges (cantor) e Nicolau Heredia. E que, em 1812, chegaram ao Rio de Janeiro Simão Portugal (mestre de música) e os músicos de câmara Eugênio José Farnese, Policarpo José de Faria e Vicente de L. C., cujos passaportes estão no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), de Lisboa.
Seja como for, estas observações não tiram a maior parte dos méritos do livro, uma importante contribuição para a reconstituição do que foi “um momento rico em informações e prática musical sofisticada e atualizada” que é “o período de permanência da nobreza portuguesa no Brasil”, conforme diz o maestro Júlio Medaglia no prefácio. E que mostra também que D. João não era o bobalhão que pretensos historiadores até hoje procuram mostrar em livros que vendem muito e minisséries de TV, mas que não têm nenhum compromisso com a verdade histórica dos documentos.
Como mostra Monteiro, D. João era, isso sim, um homem de gostos refinados, preocupado com a música e as artes, na medida das possibilidades de sua corte que, em comparação com as cortes europeias, seria de uma pobreza franciscana. Aliás, bem menos numerosa e aparatosa do que imaginaram muitos historiadores. E que, aliás, por isso mesmo, sempre exercitou a hoje chamada política de privatização, pois sempre que podia passava o chapéu entre os ricos comerciantes ou delegava a algum deles o direito de atuar em seu nome, como, por exemplo, recolher impostos, tal qual o governo luso atual que anda a privatizar consulados pelo mundo.
Nada disso, porém, impediu D. João de, a rigor, fundar a Nação brasileira, criando as instituições básicas do que viria a ser um país independente. Mas é claro que o príncipe regente continuará a ser apresentado como um tipo grosseiro e de maus bofes por aqueles pretensos historiadores -- até porque nunca ninguém perdeu dinheiro por apostar na estupidez humana.
Depois de tantas variações encontradas, A Construção do Gosto  e um ótimo livro eu recomendo Leiam!!!

Perspectiva



Muitas pessoas não acreditam ser capazes de alcançar o que mais desejam. É necessário ter uma perspectiva, confiar na validade das metas e na adequação delas aos objetivos maiores. Logo, encontrar a justa medida dos nossos desejos é a tarefa inicial. É mais confortável a pessoa se sentar e chorar, lastimar profundamente aquilo que ela não consegue ter, pensando que é o seu destino que a impede. É mais fácil que lutar para atingir metas verdadeiramente desafiadoras. Se manifestarmos a força de nossa energia positiva, canalizando-a prazerosamente para Deus, o trabalho, a família, a vida, fica mais fácil concretizar ideais elevados. Realizar exige caráter elevado, paciente e generoso. Agir com amor desinteressado é mais proveitoso. Críticas e reclamações,  devem ser levadas em conta no seu aspecto positivo. Elas mostram defeitos que  podem ser acertados e que certamente nos tornará melhores. O homem deve ajudar a Deus na construção de sua obra. Faça a sua parte e não deposite tudo na conta do destino. Aposte em Deus. Aposte em você.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Período Joanino






Depois de governar cinco anos como cônsul, Napoleão Bonaparte foi coroado imperador da França em 1804. Conquistando grande parte da Europa continental, não conseguiu, contudo, submeter a Inglaterra.
Em 1806, o imperador francês Napoleão Bonaparte assinou em Berlim o decreto do Bloqueio Continental, que proibia, a todos os países do continente europeu, fazer comércio com a Grã-Bretanha (comumente chamada de Inglaterra, embora esta última não corresponda à totalidade do território britânico). O fato de Napoleão ter determinado essa medida em plena capital da Prússia – e não em Paris – nos dá conta da hegemonia que ele alcançara sobre as demais monarquias da Europa.
Incapaz de derrotar a inimiga Inglaterra no mar, devido à inferioridade naval francesa, o imperador pretendia debilitá-la economicamente, forçando o governo de Londres a um entendimento com a França.
Na ocasião, a Inglaterra era o único país do mundo que já se encontrava em plena Revolução Industrial. Como na França esse processo ainda era incipiente, seria impossível preencher o vácuo criado pela falta de produtos britânicos. Estes, portanto, continuaram a entrar na Europa Continental, por meio de contrabando. Na verdade, o Bloqueio Continental prejudicou mais os países que o praticaram do que aquele contra o qual ele fora planejado. A Holanda recusou-se a acatar as determinações de Napoleão, que mandou invadi-la e impôs seu irmão, Luís Bonaparte, como rei dos holandeses.
O Bloqueio Continental deixou Portugal em uma situação delicada. Desde 1641, ou seja, logo após o final da União Ibérica (1580-1640), o país caíra sob a dominação da Inglaterra. Essa relação se consolidará ao longo dos anos, notadamente após a assinatura do Tratado de Methuen (ou dos Panos e Vinhos, 1703), e foram inúteis os esforços do ministro Marquês de Pombal (1750-77) para alterá-la.
Em 1792, a rainha D. Maria I, atingida por irremediável doença mental, fora afastada da chefia do Estado. Em seu lugar, assumiu o governo, na qualidade de regente, o príncipe-herdeiro D. João (futuro D. João VI).
Se por um lado Portugal não podia afrontar Napoleão, dada sua vulnerabilidade a um ataque francês (na ocasião, a França era aliada da Espanha, por cujo território as tropas francesas necessariamente teriam de passar), por outro também não podia simplesmente romper com a Inglaterra. Aliás, a indiscutível supremacia marítima britânica inviabilizaria as comunicações entre Portugal e Brasil – principal colônia lusitana, de cuja exploração dependia a própria sobrevivência econômica de Portugal.
Em agosto de 1807, o governo francês enviou um ultimato a Portugal: ou aderia ao Bloqueio Continental, ou teria seu território invadido. Diante da negativa de D. João, os embaixadores da França e Espanha retiraram-se de Lisboa em 1º de outubro, como prenúncio da invasão.
Nessa situação crítica para o governo português, a Grã-Bretanha interveio por meio de seu embaixador em Portugal, lorde Strangford: o governo britânico oferecia proteção naval para que não só a Família Real, mas toda a Corte Portuguesa (isto é, os nobres que conviviam com a Família Real e seus servidores) e os funcionários do governo se transferissem para o Brasil. Em contrapartida, Portugal se comprometia – mediante um acordo firmado secretamente – a ceder temporariamente a estratégica Ilha da Madeira aos britânicos e a permitir o comércio direto entre a Grã-Bretanha e o Brasil.
Em 27 de outubro de 1807, França e Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, que destronava a Dinastia de Bragança, reinante em Portugal desde a Restauração de 1640. O território português seria dividido em três partes, a maior das quais caberia pessoalmente a Napoleão.
Em 19 de novembro, o general francês Junot penetrou com suas tropas em Portugal, avançando rapidamente para o sul, em direção a Lisboa. Três dias antes, uma frota britânica ancorava no Rio Tejo, colocando-se à disposição do príncipe D. João para trasladá-lo ao Brasil.
O que se seguiu foi um grotesco quadro de atropelo, confusão e desespero, agravado pelas notícias da célere aproximação dos franceses. Ao todo, mais de 10 000 pessoas apinharam-se a bordo de 16 navios de guerra e 20 de transporte – todos portugueses. A frota britânica do almirante Sidney Smith dava-lhes cobertura.
Foram embarcados os arquivos dos ministérios, móveis e pratarias, bem como uma enorme soma de dinheiro, equivalente à metade das moedas que circulavam em Portugal. Parte da guarnição militar de Lisboa também foi para bordo com seu armamento. Em suma: O ESTADO METROPOLITANO PORTUGUÊS TRANSFERIU-SE PARA SUA COLÔNIA BRASILEIRA! Essa completa subversão das regras do pacto colonial traria enormes benefícios para o Brasil.
No dia 29 de novembro de 1807, a frota anglo-portuguesa levantou âncoras. Menos de 24 horas depois, à frente de seus soldados esfalfados, Junot entrava em Lisboa.


O Governo Joanino no Brasil

A transferência do Estado Português para o Brasil foi fundamental para que nosso país pudesse encaminhar seu processo de emancipação política. O primeiro passo nesse sentido foi dado poucos dias após o desembarque de D. João na Bahia (de onde depois se transferiria para o Rio de Janeiro). Trata-se do decreto (na época denominado carta-régia) de abertura dos portos brasileiros “a todas as nações amigas” – que na ocasião se resumiam à Inglaterra, já que até os Estados Unidos mantinham relações preferenciais com a França Napoleônica.
É verdade que pouco depois, pelos Tratados de 1810, o governo português concedeu ao comércio e aos cidadãos britânicos condições privilegiadas para atuar no Brasil. Mas outra não poderia ser a atitude lusitana, tendo em vista a fragilidade da posição de Portugal em face de seu poderoso aliado.
Durante o tempo em que permaneceu no Brasil, D. João, assessorado por ministros capazes, tomou numerosas iniciativas importantes, que deram ao Brasil um certo arcabouço administrativo e cultural. No plano econômico, foi revogado o alvará de D. Maria I que proibia a instalação de indústrias no Brasil; ainda no econômico, criaram-se a Casa da Moeda e o Banco do Brasil; no militar, fundaram-se as Academias Militar e Naval e foi implantada uma fábrica de munições; no cultural, surgiram a Imprensa Régia, a Biblioteca Real, o Real Teatro de S. João, o Jardim Botânico e as Escolas de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, além de se contratar a vinda, após a queda de Napoleão, de uma importante Missão Artística Francesa.
O coroamento de todas essas realizações deu-se em 1815, quando foi instituído o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves ( este último território corresponde ao extremo sul de Portugal). Com isso, o Brasil deixava de ser uma colônia, equiparava-se a Portugal e – mais que isso – tornava-se a sede legalizada do Reino Lusitano.
De um modo geral, a aristocracia rural brasileira aceitou de bom grado a administração joanina. Tal avaliação, porém, não se aplica a Pernambuco, onde o antilusitanismo sempre foi muito forte e havia uma intensa atuação da Maçonaria (uma organização secreta, ideologicamente liberal, e, portanto, oposta ao absolutismo de D. João). Acrescentem-se a esse quadro o aumento de impostos (para sustentar a Corte Portuguesa no Brasil) e a crise nas exportações do açúcar (devido ao consumo do açúcar de beterraba na Europa), e teremos os elementos detonadores da Revolução Pernambucana de 1817. Esta foi duramente reprimida, mas alguns de seus líderes não chegaram a ser executados, graças a um ato de clemência de D. João.
No plano sul-americano, o governo joanino empreendeu duas ações militares. A primeira, como uma retaliação à invasão napoleônica de Portugal, foi a ocupação da Guiana Francesa por tropas portuguesas transportadas em navios britânicos; todavia, com a queda do imperador francês, o território foi restituído ao novo rei, Luís XVIII.
Já a segunda ação militar teve maior importância. Aproveitando a ebulição emancipacionista que agitava a Bacia Platina, D. João determinou a invasão da chamada Banda Oriental (atual Uruguai), que integrava o Vice-Reino do Prata. O líder emancipacionista Artigas foi batido pelas forças luso-brasileiras e a região, com o nome de Província Cisplatina, viu-se incorporada ao Brasil, de quem só se libertaria em 1828.


Regresso de D. João a Portugal

Se no geral o governo de D. João VI (rei a partir de 1816, quando do falecimento de D. Maria I) foi benéfico para o Brasil, em Portugal ele gerou fortes ressentimentos – sobretudo entre a burguesia, que desde 1808 perdera o lucrativo monopólio do comércio com o Brasil.
Além da crise econômica, Portugal sofrera com as invasões francesas (ao todo, foram três) e com as lutas travadas principalmente por tropas britânicas para repeli-las. Adicionalmente, havia um sentimento de humilhação diante da Inversão Brasileira, que colocara o Brasil no topo do Reino Unido, tanto em termos administrativos como econômicos. Napoleão caíra definitivamente em 1815; mas D. João recusava-se a voltar para Portugal, o que abria a perspectiva de o Rio de Janeiro se tornar a capital permanente da Monarquia Lusa.
Desde fins do século XVIII, as idéias liberais (isto é, antiabsolutistas) vinham penetrando em Portugal. Essa ideologia ganhou maior espaço durante a ausência da Família Real, já que tanto ingleses como franceses – cujas tropas disputavam o território português – representavam tendências contrárias ao Antigo Regime ainda vigente em Portugal: os britânicos, pelo fato de adotarem a monarquia parlamentarista; os franceses, porque ainda personificavam o ímpeto de sua Revolução, se bem que transmudado no centralismo napoleônico.
Após a expulsão dos invasores franceses, Portugal passou a ser administrado por um general inglês, Beresford. D. João foi constrangido a nomeá-lo lugar-tenente (isto é, substituto imediato) do rei para o território português. Na prática, porém, Beresford atuava como administrador absoluto, subordinado apenas formalmente à autoridade real. Uma humilhação a mais para os portugueses.
Em 24 de agosto de 1820, aproveitando a ausência de Beresford, que viajara para o Rio de Janeiro, irrompeu na cidade do Porto uma revolução liberal, conduzida pela burguesia mas com forte participação popular. O movimento ganhou rapidamente o país e uma Junta Provisória de governo convocou eleições para uma Assembléia Constituinte que poria fim ao absolutismo.
No Brasil, as novas sobre a Revolução do Porto tiveram boa aceitação, tanto entre a aristocracia rural como entre os comerciantes portugueses aqui radicados. D. João VI, confrontado com uma grande manifestação popular, jurou respeitar a Constituição que iria ser feita em Portugal; aceitou ainda que as províncias brasileiras passassem a ser administradas por Juntas Provisórias formadas por figuras locais preeminentes, enquanto não se promulgava uma Constituição para o Reino Unido.
Em janeiro de 1821, a Assembléia Constituinte foi instalada em Lisboa, com o nome de Cortes (denominação de assembléias que se reuniam em Portugal e Espanha desde a Idade Média; não confundir com a Corte Portuguesa, que se encontrava no Rio de Janeiro). Deputados brasileiros foram enviados para participar dos debates.
Mas as Cortes de Lisboa tinham uma posição ambígua: eram indiscutivelmente liberais em relação a Portugal; mas na atitude para com o Brasil eram reacionárias, pois tinham o projeto de recolonizá-lo, mediante a supressão do Reino Unido declarado em 1815. Para executar esse projeto, porém, era necessário primeiro que o governo português se reinstalasse em Portugal.
Como D. João VI não era mais absoluto e as Cortes representavam a máxima autoridade política do Reino Unido, não foi difícil pressioná-lo para voltar. Assim, em 24 de abril de 1821, o monarca embarcou com sua família para Lisboa. Deixou no Rio de Janeiro, porém, com o título de príncipe-regente, seu filho e herdeiro D. Pedro, com 24 anos. E, ao se despedir, deu-lhe o célebre conselho: “Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, toma a coroa para ti, antes que algum aventureiro lance mão dela.”
Em 7 de setembro seguinte, com o grito do Ipiranga, o príncipe atendeu à recomendação do pai.
O quadro de Debret retrata o embarque da Família Real de volta a Portugal em abril de 1821.

José Bonifácio



Mais conhecido na história do Brasil como o “Patriarca da Independência”, quem foi José Bonifácio de Andrada e Silva, que tanto influenciou D. Pedro I, em sua  Regência? Que poder tinha esse homem para ser nomeado tutor dos filhos de D. Pedro I, mesmo após ter iniciado um amplo movimento de oposição ao imperador ?
Brasileiro de família abastada, nascido em 1763 na cidade de Santos, José Bonifácio estudou Ciências Naturais e Direito em Coimbra, adquirindo considerável  reputação como professor universitário. Após percorrer por dez anos várias regiões da Europa, retornou para Portugal e em 1800 recebeu o título de doutor em filosofia, destacando-se também como geólogo e metalurgista, quando fundou a primeira cátedra de metalurgia lusitana. Tornando-se intendente-geral das minas de Portugal, ganhou cargos de relevância, passando a chefiar a polícia do Porto, após a expulsão dos franceses que haviam invadido Portugal em 1807 durante a expansão napoleônica.
Presente  em nossa história desde o início movimento de independência, José Bonifácio foi presidente da junta governativa de São Paulo (1821) e posteriormente assessor e ministro de D. Pedro, juntamente com seu irmão Martim Francisco. Tornou-se o principal organizador da Independência do Brasil com atuação destacada no processo constitucional. Seu liberalismo porém, limitava-se ao discurso ou a alguma literatura que produziu sobre a necessidade de abolição gradual da escravidão. Na prática foi um assumido defensor dos escravocratas.
Nas eleições para Constituinte, José Bonifácio conseguiu fazer três dos seis representantes paulistas, colocando na liderança do grupo seu outro irmão Antonio Carlos. Atenuou as divergências políticas e ideológicas entre o imperador e a Assembléia Constituinte, onde representava a corrente mais conservadora defendendo um Estado extremamente centralizado e a limitação do direito de voto, em oposição aos liberais radicais, que exigiam uma constituição liberal, a limitação dos poderes de D. Pedro e a maior autonomia das províncias.
Nesse contexto, a união dos Andradas com o imperador foi de curta duração. O autoritarismo de José Bonifácio gerou severas críticas por parte da oposição e a perda de seu prestígio frente ao imperador. Em junho de 1823 José Bonifácio foi frontalmente contrariado pelo monarca que assinou um decreto anistiando revoltosos inimigos dos Andradas. No mês seguinte José Bonifácio e Martim Francisco demitiam-se, enquanto Antonio Carlos se destacava como principal articulador do projeto constitucional na Assembléia Constituinte, mais tarde dissolvida pelo imperador.
Na oposição os Andradas passaram a combater tenazmente o governo de D. Pedro não somente na Assembléia, mas sobretudo no Tamoio, jornal que fundaram em agosto de 1823 e cujo título, nome de uma tribo famosa pela aversão que tinha aos portugueses, mostra claramente sua orientação. O Tamoio era muito bem redigido, mas os princípios democráticos em seus editoriais, contrastava-se com o autoritarismo que marcou os Andradas na época em que eram ministros. Um outro jornal de oposição, o Sentinela da Liberdade à beira do mar da Praia Grande, auxiliava o Tamoio em suas investidas contra o imperador.
Com a dissolução da Constituinte, José Bonifácio, seus irmãos e alguns partidários, foram deportados para Europa. Publicando um caderno de poesias sob o pseudônimo arcádico de Américo Elísio, José Bonifácio foi considerado o mais notório brasileiro de seu tempo.
De volta ao Brasil, foi residir na ilha de Paquetá, reaproximando-se de D. Pedro I que após abdicar ao trono, indicou-o como tutor de seu filho (futuro D. Pedro II). Suspeito de participar da conspiração que pretendia restaurar D. Pedro I, foi acusado de crime político e preso em 1833, sendo julgado e absolvido por unanimidade. Em seus últimos dias de vida mudou-se para cidade de Niterói, onde faleceu em 1838.
Legítimo representante das elites rurais José Bonifácio foi um político conservador que odiava a democracia e não hesitava em lançar tropas contra as massas. Suas propostas de caráter mais progressista, como a abolição gradual da escravidão e a distribuição de terras inutilizadas para lavradores pobres, são circunstanciais, refletindo a inevitável influência dos princípios iluministas naquela época.
Se procurarmos entender o que de fato representou o estadista José Bonifácio na realidade histórica marcada pelo processo de formação do Estado Brasileiro, encontraremos um personagem extremamente conservador e até reacionário, já que quase tudo nele, girava em torno dos interesses da aristocracia rural escravista, a classe social que José Bonifácio efetivamente representou ao longo de sua vida política.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

É Tempo...

É tempo de amar ainda mais
quando a fogueira que em nossa vida ainda não ardeu
desperta a mão da brisa que de novo se acendeu ...

É tempo de amar ainda mais
Quando o desejo tem a força da maré que nos agita
e o silêncio que fustiga os nossos lábios tanto grita ...

É tempo de amar ainda mais
quando as nossas mãos se recusam a soltar-se,
cada vez mais presas ao desejo que queremos saciar ...

É tempo de viver o amor rasgando todos os fantasmas.
É tempo de amar ainda mais, como se a luz não existisse,
ou uma remota e cintilante estrela se extinguisse ...

Não quero viver fugazes instantes de uma tarde de amor,
uma fração de segundo. Poeira cósmica. Meteorito.
Por ti...  serei o sol a arder no infinito!

domingo, 7 de agosto de 2011

Boa Ventura!



“A cobiça que forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo”.

"Boa ventura! – A corrida do ouro no Brasil" do autor Lucas Figueiredo.

Tudo começa quando o rei de Portugal, Luís I, em 1876 está fazendo uma vistoria, das poucas riquezas que ainda lhe restam para escolher algumas para vender e pagar as dívidas do reino. Em meio a jóias, relógios, pedras preciosas e peças de ouro, ele se depara com uma pepita de ouro 20 quilos extraída na época da corrida do ouro no Brasil.

A partir disso começa a história desde antes do descobrimento do Brasil até a independência. O autor escreve de uma maneira que em nenhum momento fica monótona, esqueça as aulas traumatizantes de história que você teve na escola, aqui a leitura é interessante e de quebra você aprende muitas coisas.

Portugal era um reino falido. Quando o Brasil foi descoberto só servia para extrair pau-brasil e como parada para quem ia as Índias, porque nem Cabral e nem outras expedições posteriores encontraram o tão sonhado ouro. Enquanto isso a Espanha fazia o maior sucesso conquistando muito ouro dos Astecas e dos Incas.

E começam a surgir as lendas do “Sabarabuçu” que é um lugar com montanhas e rios de ouro, escondido no sertão do Brasil, a parte até então não colonizada, já que os povoados eram quase todos no litoral, exceto o pequeno vilarejo de São Paulo, que ficava serra acima.

A cada nova expedição em busca do ouro o fiquei  na expectativa, tanto quanto o Rei, pensando que dessa vez dará certo. Mas muitos foram os fracassos até conseguir o tão sonhado ouro da América Portuguesa.



Muito se fala da importância dos paulista, que ficaram conhecidos na história como “bandeirantes” – sem idealizar e nem isentar sua violência contra os índios – na colonização do interior do Brasil. Conhecemos personagens como Fernão Dias e Borba Gato.

“Os paulistas eram tudo isso e muito mais: homens de negócios, nômades, guerreiros violentos. Dos índios que caçavam e matavam e com quem também se uniam com laços de sangue, herdaram o amor a liberdade, o domínio da natureza e as técnicas de guerrilha. Dos antigos conquistadores portugueses, legaram o gosto pela aventura levada com destemor e uma grande dose de imprudência.”

Foram 200 anos de expedições atrás do ouro. Até que um dos governadores, da parte Sul do Brasil, criou uma teoria que os paulistas podiam estar “escondendo o ouro” que se o Rei lhes desse garantias e incentivos, finalmente as descobertas aconteceriam. Não se sabe ao certo se era isso que acontecia, mas após essas medidas a corrida do ouro deu inicio e foram descobertas as primeiras jazidas, num lugar que era conhecido como “Minas de Ouro de São Paulo” e hoje é o estado de “Minas Gerais”.

O ouro trouxe muitos forasteiros atrás do dinheiro fácil (metade da população de Portugal, moradores de outras regiões do Brasil e estrangeiros), e eles entraram em conflitos com os paulistas, que se sentiam donos do ouro, por serem os primeiros a descobrirem as jazidas. Tudo isso gerou a “Guerra dos Emboabas” (nome pejorativo que os paulistas davam aos forasteiros). Depois disso o ouro começou a aparecer por todos os lados: na Bahia, no Mato Grosso, em Goiás.

Portugal tinha tudo para ser o país mais rico do mundo se fosse pelos seus Reis fúteis que não paravam de gastar o ouro brasileiro para alimentar seu luxo, enquanto o país continuava na miséria. Foram incontáveis as obras grandiosas, doações a Igreja, os gastos com jóias, com presentes, tudo para tentar mostrar uma riqueza superficial ao resto do mundo.

“A idéia de que não bastava possuir uma fortuna, era preciso exibi-la, tinha um mentor: d. João V. Filho, neto e bisneto de reis que deviam na praça, d. João V era obcecado em provar, a todo o instante e em todos os lugares, que sua condição era diferente.”

Eu contei apenas 10% de toda essa história, muito rica em detalhes, o livro mostra muito mais, com uma escrita encantadora. Como termina essa história? Leia o livro e descubra!

O livro conta também com anexos, que contém mapas, informações complementares, ilustrações. A única coisa que não gostei é que as notas, ao invés de serem no rodapé são no final de cada capítulo, o que faz que muitas vezes esqueçamos aquilo que queríamos conferir o detalhe. Mas após a leitura de alguns capítulos entendi que essa medida foi necessária, pois há partes que tem 80 dessas referencias.

E como Professor de História eu recomendo, pois é  fascinante conhecer a origem de nosso país! Esqueça seus traumas com as aulas de história, aqui é tudo bem diferente, não da sono, é algo que da prazer em ler, descobrir, conhecer.