terça-feira, 30 de outubro de 2012
Por que a abóbora é o símbolo do Halloween?
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Vida de Mestre!
O Dia do Professor é feriado no Brasil desde os anos
1960. De lá para cá, o país mudou muito, mas os profissionais continuam mal
remunerados, com uma carga horária de trabalho desgastante e desvalorizados
socialmente
Quem
quer ser professor no Brasil? Poucos. Nos dias de hoje, somente 2% dos alunos
do ensino médio mostram-se interessados na carreira docente, embora 1/3 deles
tenha pensado, em algum momento, em segui-la. As razões para tanto desinteresse
vão desde a baixa remuneração, à rotina desgastante ou mesmo à desvalorização
social. Ser professor é um mau negócio. O resultado é que, hoje, faltam mais de
700.000 professores nos ensinos fundamental e médio.
Aqui,
diferente de países como EUA, China e Índia, o Dia do Professor é feriado
oficial. Comemorado no dia 15 de outubro, foi instituído nacionalmente em 1963
no governo de João Goulart. Seu início remete à década de 1930, quando grupos
de professores católicos organizaram iniciativas para comemorar o “Dia da Mestra”
e o “Nosso Primeiro Mestre” lançado pela Associação de professores Católicos do
Distrito Federal (Rio de Janeiro, naquela época). A data - consagrada à Santa
Tereza D’Ávila, religiosa e escritora reconhecida, proclamada Doutora da Igreja
pelo Papa Paulo VI -, é associada ao Decreto Imperial de D. Pedro I, em 1827.
Nele, o imperador ordenava a criação de escolas de “Primeiras letras” em todas
as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império.
A
criação de um dia comemorativo não significou, contudo, a valorização do
professor. Sem dúvida, se olharmos de 1963 para cá, o Brasil avançou em muitos
aspectos na educação: diminuiu consideravelmente o analfabetismo, colocou a
quase totalidade da população infantil na escola e aumentou consideravelmente o
ensino universitário. Tais avanços, no entanto, foram insuficientes e a
educação brasileira é, ainda hoje, uma das piores do mundo. A principal razão
disso é o desinteresse pelo magistério. Os melhores alunos tendem a se
direcionar para carreiras mais bem remuneradas. Resultado: muitas vezes falta
uma formação sólida àqueles que devem ensinar.
Outro
problema real é a desvalorização social: nas escolas privadas é comum os
professores ouvirem dos alunos que seus pais ganham mais ou que eles,
professores, são seus empregados. Nas escolas públicas, a desvalorização vem
quase sempre do desconhecimento, por parte dos próprios pais, da importância da
educação. Junte-se a isso uma rotina desgastante, que inclui uma enorme carga
horária de trabalho, dentro e fora de sala de aula.
Tudo
isso ocorre no momento em que o Brasil sofre com a falta de mão de obra
qualificada em todos os setores. Surge aí um estranho paradoxo: quanto maior a
carência de mão de obra, maiores os salários nos diversos setores e, portanto,
menos atrativa se torna a carreira do magistério. É preciso educar a população,
mas quem vai fazê-lo?
O
governo federal vem tentando responder a essa questão com o estímulo à
docência. Por um lado, apoiando a multiplicação das licenciaturas. Por outro,
concedendo bolsas e criando programas de incentivo à formação de professores.
Falta ainda, no entanto, o reconhecimento expresso numa carreira estruturada e
numa remuneração adequada.
Em
um contexto tão negativo, poderíamos imaginar que os professores fossem uma
espécie em extinção. No entanto, eles somam quase 2 milhões de profissionais em
todo o Brasil, ensinando mais de 50 milhões de alunos. Nos últimos anos, a
qualificação de grande parte dos docentes tem aumentado: percebe-se que eles
respondem positivamente quando estimulados e apoiados.
Magistério
não é sacerdócio, mas é vocação. Há uma magia indescritível em ensinar, que sem
dúvida move a maior parte de nossos mestres a seguir em sua profissão. Há
material humano. Há vontade de ensinar e aprender. O que falta é valorizar o
professor não somente no seu dia, mas durante todo o ano.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
Primeiras Universidades

Foi em Bolonha, no norte da Itália, no final do século
XI. Embora os registros históricos sejam imprecisos, a data mais aceita é 1088,
quando o ensino na cidade se tornou livre e independente das escolas
religiosas. Pouco depois, no século XII, foi fundada a Universidade de Paris e
esses dois estabelecimentos deram, então, a largada para o surgimento de
inúmeros outros na Europa. Mesmo que fossem desvinculados da Igreja, dependiam
do aval do clero ou do governo para funcionar. Dedicavam-se ao ensino das leis,
da medicina, da astronomia e da lógica.
No Brasil, a primeira instituição de ensino superior foi
a Escola de Cirurgia da Bahia, criada em 1808. "Depois vieram as
faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda, em 1827", diz a
historiadora Maria Lígia Coelho Prado, da USP. Já a primeira universidade a
oferecer cursos variados foi a do Rio de Janeiro, fundada em 1920
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Qual é a diferença entre Reino Unido e Grã-Bretanha?
INGLATERRA
É um país que tem como capital a cidade de Londres. Ao
longo da história, a Inglaterra conseguiu se impor politicamente sobre alguns
países vizinhos e passou a controlar um Estado batizado de Reino Unido (veja a
seguir). No século 19, com a Inglaterra à frente, o Império Britânico se tornou
um dos maiores da história, com uma extensão territorial equivalente a um
quarto do planeta!
GRÃ-BRETANHA
É o nome da grande ilha onde ficam três países:
Inglaterra, País de Gales e Escócia. Com quase 230 mil km2 de área, ela tem
perto de 1000 km de comprimento de norte a sul e pouco menos de 500 km de leste
a oeste. O termo "Grã-Bretanha" muitas vezes é usado como sinônimo de
"Reino Unido" - o que não é inteiramente correto, pois um dos países
que formam o Reino Unido não fica nessa ilha.
BRETANHA
O nome deriva da grande ilha onde fica a Inglaterra, mas,
quando alguém menciona apenas "Bretanha", está se referindo não a um
território inglês, mas a uma região na França. A província da Bretanha é a
maior área costeira francesa e tem como capital a cidade de Rennes. Por volta
do século 6, essa região foi invadida por habitantes da atual Grã-Bretanha, os
bretões, dando origem ao nome em comum.
REINO UNIDO
É um Estado formado por quatro países: Inglaterra,
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. A chefe de Estado é a rainha
Elizabeth II e o de governo um primeiro-ministro, eleito por um Parlamento
central, em Londres. Nas grandes questões de governo, como política econômica,
quem manda é esse Parlamento. Mas Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte também
têm assembléias nacionais, com certa autonomia para tratar de questões mais
locais, como saúde.
ILHAS BRITÂNICAS
É um arquipélago formado por cerca de 5 mil ilhas. As
duas maiores são a Grã-Bretanha e a ilha da Irlanda - onde ficam dois países, a
Irlanda do Norte (membro do Reino Unido) e a República da Irlanda, também
chamada de Eire (um Estado independente). Além das duas
"grandalhonas", fazem parte desse arquipélago milhares de ilhas
menores, como as Órcades, Shetland, Hébridas, Man e ilhas do Canal (como
Jersey).
Morre o historiador Eric Hobsbawm, aos 95 anos.
De acordo com comunicado divulgado por sua família,
Hobsbawm deixa "não só sua mulher dos últimos 50 anos, Marlene, seus três
filhos, sete netos e um bisneto, mas também seus milhares de leitores e
pesquisadores no mundo todo". Autor de Era dos Impérios, Era das
Revoluções, Era dos Extremos e Globalização, Democracia e
Terrorismo – entre muitos outros –Hobsbawm revolucionou – de fato – a
historiografia e a interpretação da História sobre o nosso tempo.
Relevante e fundamental
Poucos historiadores tiveram o privilégio e a
lucidez de refletir sobre sua própria época. Britânico, nascido em Alexandria,
no Egito em 1917, Hobsbawm passou seus primeiros anos em Viena, nas ruínas do
último grande império europeu, o Habsburgo. Ainda criança se muda para Berlim,
onde permanece até vitória do partido nazista em 1933. Quando a Segunda Guerra
Mundial teve inicio - já historiador e membro do Partido Comunista Britânico -
colaborou com os serviços de inteligência e integrou o Royal Army Educational
Corps, uma divisão responsável pela instrução e educação dentro do exército.
Na década de 60, se relaciona com a privilegiada
geração de historiadores marxistas ingleses, como Christopher Hill e Edward
Thompson. Seu interesse pelo trabalhismo o leva a estudar as revoluções
burguesas do século XIX. Nascia a preciosa série dividida em eras: Revoluções
(1789-1948), Capital (1848-1975), Impérios (1875-1914). Bibliografia obrigatória
dos cursos de História de todo mundo, seus trabalhos sobre o período ainda
foram acrescidos de dois livros fundamentais sobre História Moderna: A Invenção
das Tradições (1983) e Nações e Nacionalismo desde 1780 (1991).
Seu trabalho mais marcante, no entanto, viria com
“A Era dos Extremos” de 1991. Coincidindo com boa parte do seu tempo de vida, o
historiador se coloca no papel de testemunha do mais interessante e sangrento
século da história, como costumava dizer. Ele divide o período em três eras. A
primeira, a da catástrofe, marca as duas grandes guerra, o surgimento da União
Soviética, a crise econômica de 1929 e o aparecimento dos fascismos. A segunda,
nas décadas de 50 e 60, chamada de anos dourados, período de grande expansão
econômica do capitalismo. Por fim, entre 1970 e 1991, o desmoronamento final,
quando os sistemas ideológicos e institucionais caem por terra.
Hobsbawm viveu muito, mas parece pouco frente à
magnitude de sua obra. Foram mais de 30 livros, alguns sobre paixões pessoais,
como “A História Social do Jazz” (1989), outros como reafirmação de sua
coerência ideológica, como seu último, “Como mudar o mundo: Marx e o Marxismo”
(2011). Nos últimos anos, permaneceu ativo e publicando muito. Em 2002 lançou
sua autobiografia, “Tempos Interessantes”. Cinco anos depois, alguns ensaios
que incluíam análises pontuais sobre o mundo pós 11 de setembro. Sua morte, aos
95 anos, deixa gerações de historiadores órfãs de um dos historiadores mais
lidos e influentes do último século.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Ana Bolena no reinado de Henrique VIII
A história de Ana Bolena no reinado de Henrique VIII
A tumultuada vida - e a polêmica morte, com suspeita de
adultério - de Ana, a mais famosa entre as seis mulheres do rei inglês Henrique
VIII
Por ela, o rei Henrique VIII abandonou sua mulher,
Catarina de Aragão. Por ela, o monarca rompeu com a Igreja Católica. Por ela
ainda, o herdeiro dos Tudors fundou uma nova religião, a Igreja Anglicana.
Também por essa mulher, o homem mais poderoso da Inglaterra do século 16 sujou
as mãos de sangue. Em 1536, três anos após casar-se com o rei e provavelmente
com 35 anos, Ana Bolena acabou decapitada, sob a acusação de adultério com
cinco homens - entre eles, o próprio irmão.
Não é de estranhar que a vida de Ana, tão cheia de intrigas de alcova, sexo, mortes, mentira e traição, seja, séculos depois, ainda popular no cinema, na internet e na literatura, com mais de 40 biografias publicadas. A mais recente, e também a mais polêmica versão, com doses maiores de sexo e menores de conspiração, acaba de ser lançada nos Estados Unidos e na Inglaterra - Anne Boleyn: Fatal Attractions (Ana Bolena: Atrações Fatais) - e é ainda inédita em português.
Ela não era a mais
bonita das pretendentes do rei, mas foi capaz de encantá-lo.Não é de estranhar que a vida de Ana, tão cheia de intrigas de alcova, sexo, mortes, mentira e traição, seja, séculos depois, ainda popular no cinema, na internet e na literatura, com mais de 40 biografias publicadas. A mais recente, e também a mais polêmica versão, com doses maiores de sexo e menores de conspiração, acaba de ser lançada nos Estados Unidos e na Inglaterra - Anne Boleyn: Fatal Attractions (Ana Bolena: Atrações Fatais) - e é ainda inédita em português.
Na contramão do que alega a grande maioria dos historiadores contemporâneos, partidários da inocência da rainha, o autor George Bernard, professor da Universidade de Southampton, na Inglaterra, acredita que ela pode ter mesmo pulado a cerca. E até três vezes, talvez por causa da desesperada tentativa de conseguir um herdeiro do rei. O pesquisador contesta a visão de que a mais famosa dos Bolenas tenha sido vítima de uma armação, seja por parte de Henrique VIII, interessado em ter um filho homem (que ela não dava), seja por parte de nobres inimigos, em busca de mais poder.
Para chegar a essa conclusão, Bernard baseia-se principalmente em um poema de 1536, escrito por Lancelot de Carles, diplomata francês na Inglaterra. Segundo um dos trechos, a infidelidade da rainha veio à tona por acaso, numa discussão entre uma de suas damas de companhia, a condessa de Worcester, e o irmão, que a acusava de adultério. Na tentativa de se defender, a condessa teria alegado que suas escapadas não eram nada se comparadas às da rainha - ela, sim, ia para cama não só com um músico da corte, mas com o próprio irmão. Pronto, estaria engatilhado o processo que custou a vida de Ana e a de seus cinco supostos amantes. Entre eles, o músico da corte Mark Smeaton, o único réu confesso. Interrogado, disse que dormiu três vezes com a rainha.
Ana menina
Ana nasceu entre 1500 e 1507. Não se sabe ao certo. Filha de um embaixador, cresceu entre as mais sofisticadas cortes da época. Morou no palácio de Margarida da Áustria, regente dos Países Baixos, e, perto dos 20 anos, foi dama de companhia da rainha Claudia, na França, onde se apaixonou pelos costumes locais.
Em 1521, foi chamada de volta à Inglaterra por causa dos crescentes desentendimentos entre Henrique VIII e o rei francês Henrique I. No ano seguinte, o inglês declararia guerra à França, de olho em territórios do outro lado do canal da Mancha e no controle de portos no mar do Norte. Ana logo se tornou uma dama de companhia da futura rival, a rainha Catarina de Aragão. Acabou fisgando o coração do nobre Henry Percy. "O amor entre os dois era tão grande que resolveram se casar", contou, então, George Cavendish, servo do todo-poderoso cardeal Thomas Wolsey. Mas o religioso proibiu o namoro. Teria sido uma exigência do rei, já apaixonado por ela.
Na época, o cobiçado papel de amante do monarca era de sua irmã mais velha, Mary (leia acima, à dir.). Com fama de difícil, Ana teria resistido por cinco anos às investidas de Henrique VIII. Acabou parando na cama real depois de arrancar a promessa de casamento. Determinada, não se contentava como amante. Outra versão, defendida por George Bernard, é que o soberano resistiu aos encantos dela. Ele temia que, se o caso ganhasse evidência, seriam frustradas as negociações com o papa para o tão desejado divórcio, baseadas até então em argumentos teológicos. Bernard diz que o rei era íntimo de Ana e poderia ter feito sexo com ela se quisesse. Numa das cartas de Henrique a Ana, por exemplo, ele dizia acreditar que logo beijaria os seios dela.
Durona ou não, acabou sob os lençóis do rei. No início de 1533, descobriu que estava grávida de sua única filha, a futura rainha Elizabeth I. Com a barriga inesperada, a dupla casou-se em segredo. Meses depois, em 23 de maio, Thomas Cranmer, o novo arcebispo de Canterbury, deu o sinal verde para o divórcio entre o monarca e Catarina. Ana finalmente ganhava direito à coroa. No domingo 1º de junho, em trajes de veludo roxo, ela foi coroada com toda a pompa na abadia de Westminster.
Entre tantas versões da vida de Ana, as maiores polêmicas são seu papel na corte e o fato de ter ou não traído Henrique. "Ela é culpada apenas de comportamento inadequado com os cortesãos", diz o historiador Peter Marshall, professor da Universidade de Warwick. Seu principal argumento é que a traição não foi confessada pela rainha nem por quatro de seus cinco supostos amantes. "Com medo do castigo divino, os criminosos quase sempre admitiam o delito até minutos antes de morrer. Se fosse culpada, ao insistir em sua inocência, Ana estaria cometendo perjúrio não só aos olhos dos homens, mas aos de Deus. E qualquer pessoa do século 16 acreditaria que isso levaria à condenação eterna."
Filho homem
O historiador Estevão Martins, da Universidade de Brasília, afirma que o rei se desinteressou por Ana quando ela não produziu um herdeiro homem (o que tampouco havia feito Catarina): "Esse era um motivo para grandes conflitos constitucionais na hora da sucessão". E cita agravantes. Ana enfrentava a resistência de facções políticas, como a nobreza escocesa católica, supostamente disposta a alimentar acusações de adultério. "Eles queriam vê-la morta porque eram contrários à criação da Igreja Anglicana."
Também fala em armação Edmilson Martins Rodrigues, professor de história moderna da PUC-RJ. "Henrique VIII se livrou de Ana porque precisava de apoio de grupos da alta nobreza, inimigos da rainha", diz. O soberano havia distribuído terras confiscadas da Igreja Católica para a pequena nobreza, responsável pela produção agrícola. Queria, assim, levar o grupo ao Parlamento e ganhar força política. Depois, mudou de ideia e voltou a buscar o apoio da alta nobreza. E Ana era alinhada ao primeiro grupo. Há também quem defenda que por trás das acusações estava Thomas Cromwell, o mais importante ministro da corte. Ele e a rainha teriam se desentendido quanto aos rumos do confisco das terras da Igreja e da política externa (Cromwell queria se aliar ao Sacro Império Romano-Germânico e ela preferia a França). Essa é a tese de Eric Ives, um dos mais renomados biógrafos de Ana.
Por conspiração, adultério ou uma combinação dos dois fatores, o fato é que ela acordou cedo na sexta feira, 19 de maio de 1536. Antes de amanhecer, assistiu à sua última missa. Por volta das 8 horas, caminhou até o cadafalso da Torre de Londres. Em suas últimas palavras, encomendou a alma a Deus. Ainda elogiou o rei, provavelmente tentando evitar perseguições a sua família. Foi vendada e decepada a golpe de espada. Dez dias depois, Henrique VIII casou-se com a amante Jane Seymour - união que lhe rendeu o tão esperado herdeiro, o futuro rei Eduardo VI. O soberano ainda teve três outras mulheres, até morrer, em 1547.
* Carta de Henrique VIII a Ana Bolena em 1528
Negócio rentável
Ao cair nas graças do rei, as amantes ganhavam dinheiro e poder
Ser amante de rei era um negócio e tanto há alguns séculos. A função rendia títulos, presentes e polpudas mesadas. Algumas das eleitas também tinham um enorme poder político. Não é para menos que muitas famílias encorajavam suas rebentas a dividir os lençóis com o monarca da vez. Entre os Bolenas, não foi diferente. "O pai jogou suas duas filhas, Mary e Ana, na cama de Henrique VIII (à esq.)", diz o historiador Estevão Martins. "Naquela época, mulheres e filhas serviam de moeda de troca nos jogos de interesse da corte." Embora na praça desde o começo da realeza, as amantes tiveram seu apogeu nos séculos 16, 17 e 18 - quando eram "obrigatórias" aos monarcas franceses, ingleses e alemães, diz Eleanor Herman no livro Sexo com Reis - 500 Anos de Adultério, Poder, Rivalidade e Vingança. Uma das mais poderosas representantes da safra foi Diane de Poitiers, amante do rei francês Henrique II. Em meados do século 16, ela nomeou ministros e criou impostos. Dois séculos depois, com a Revolução Francesa, as queridinhas da realeza perderam lugar sob os holofotes. Com a moral dos novos tempos, as aventuras amorosas ganharam ares mais discretos.
178º Aniversário de D.Pedro I
Morre D. Pedro I, primeiro monarca do Império do Brasil
24 de septembro de 1834
No dia 24 de setembro de 1834 morria, em Lisboa, D. Pedro I, primeiro fundador e primeiro
monarca do Império do Brasil. Nascido no dia 12 de outubro de 1798, em Lisboa,
ele foi o quarto filho do rei Dom João VI com a rainha Carlota Joaquina. Quando
Portugal foi invadido por tropas francesas, ele e toda a aristocracia
portuguesa fugiram para o Brasil, em 1808.
O início da Revolução liberal do Porto, em 1820, em
Lisboa, obrigou D. João VI a voltar para Portugal em abril de 1821. Com isso,
D. Pedro I ficou como príncipe-regente do império e precisou lutar contra
ameaças de revolucionários e insubordinação de tropas portuguesas.
Diante da tentativa do governo português de retirar a autonomia
política do Brasil, Pedro I optou por declarar a independência do Brasil de
Portugal em 7 de setembro de 1822. Em 12 de outubro, foi aclamado imperador
brasileiro e, em março de 1824, havia derrotado todos os exército leais a
Portugal.
Ele ficou no poder até 7 de abril de 1831, quando,
incapaz de lidar com os problemas do Brasil e de Portugal ao mesmo tempo,
abdicou do trono em favor do seu filho Dom Pedro II, retornando à Europa. De
volta a Portugal, ele se viu em meio a uma guerra, que envolveu toda a
península ibérica, numa luta entre defensores do liberalismo e os que defendiam
o absolutismo. Pedro I morreu de tuberculose, no dia 24 de setembro de 1834,
poucos meses após ele e os liberais obterem a vitória. Ele morreu no palácio de
Queluz, no mesmo quarto e na mesma cama onde nascera 35 anos antes.
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